A acupuntura é uma técnica pertencente à Medicina tradicional chinesa que permite regular o fluxo de energia (qi), através da colocação de agulhas em áreas específicas do corpo. Com o objetivo de restaurar a saúde do paciente ou prevenir doenças.


Com o crescimento da medicina alternativa , temos sido testemunhas do surgimento de numerosas e peculiares técnicas de cura que, em maior ou menor medida, têm gerado grande expectativa, esperança e admiração, assim como severos questionamentos ou franca incredulidade. O tempo se encarregou de deixar em esquecimento, muitos desses procedimentos, enquanto que outros permanecem e continuam seu desenvolvimento, devido a que demonstraram a sua eficácia através de estudos científicos e, acima de tudo, através de bons resultados.


Esse é o caso da acupuntura, terapia que leva mais de 2.500 anos de ser praticada e que agora, longe de estar em desuso, se estuda e investiga as universidades e os centros de saúde de todo o mundo, tal como descreve o Dr. Crisóforo Ordóñez Lopez, especialista na área e professor de pós-graduação na Escola Nacional de Medicina e Homeopatia (ENMH) do Instituto Politécnico Nacional, localizada ao norte da Cidade do México.


O também membro da Associação brasileira de Associações e Sociedades de Acupuntura, A.C., explica que esta disciplina faz parte da Medicina tradicional chinesa e consiste no uso de agulhas metálicas muito finas, que se puncionan ou colocados sobre a superfície do corpo, sempre em pontos específicos que estão ligados, através de um ‘canal’, com um órgão ou de campo que sofre de alguma doença”.


Além disso, descreve que, apesar de ser guardado com cuidado, a acupuntura começou a transcender suas fronteiras de origem por mérito próprio a partir de meados do século XX. “No México começamos a aplicar a partir de 1960, aproximadamente, e se deu a conhecer massivamente em todo o mundo em 1972, quando o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, fez uma visita à China, em que se fez acompanhar por vários médicos para que conhecessem e aprender esta técnica. A partir de então, foi referido como o método terapêutico de grande utilidade para muitos sofrimentos”.


Harmonia de opostos


Em primeira instância, é difícil acreditar que a colocação de agulhas é o suficiente para ajudar a curar uma doença; no entanto, Ordoñez Lopes esclarece que esta técnica baseia-se na longa série de conhecimentos que foram comprovados paulatinamente. As punções, por exemplo, não são feitas ao acaso, mas em “pontos muito específicos que foram descobertos através de ensaio e erro. Como em toda a medicina, os chineses da antiguidade, partindo de um conceito mágico mediante o qual pensavam que, se os enfermos tinham alguma doença era, porque lhes tinha metido um demônio em uma área do organismo; por isso picaban a pele, uma vez que, curiosamente, teve lugar a cura”.


Pouco a pouco, se foram determinando quais são, por exemplo, as regiões em que a colocação de agulhas gera alívio nos rins, fígado ou pulmões, assim como aquelas onde se atenuam problemas digestivos ou dores de cabeça, e que não necessariamente estão perto do órgão ou da área afetada. Além disso, conforme foi aumentando o número de pontos descobertos, verificou-se que estes se unem através de “meridianos” conhecidos como canais de acupuntura.


Esses canais não são terminações nervosas, mas “caminhos um pouco diferentes, cuja existência está comprovada e através das quais circulam o sangue (xue, em chinês) e energia (qi ; pronuncia-se chi), que, para a medicina tradicional daquela nação asiática são, respectivamente, os contrários ying e yang . Nós podemos interpretar, a grandes traços, como as forças de frio e calor, as mesmas que quando se desequilibram fazem com que apareça uma doença”.


Assim, a colocação de agulhas tem o objetivo de atuar sobre os canais de acupuntura , para restabelecer o equilíbrio perdido entre as energias opostas e complementares, como a água e o Sol, tornam possível a vida e a saúde.


Amplo espectro


Dizer do Dr. Crisóforo Ordóñez, a acupuntura é útil em grande número de doenças que se manifestam com dor, entre elas:



  • Enxaqueca ou ataques recorrentes de dores de cabeça associadas a náuseas e desconforto gerado pela luz ou ruído.

  • Problemas de coluna, como lombalgia (dor na parte baixa das costas), dorsalgia (desconforto nas costas alta) e ciática (distúrbio nervoso que causa dor na parte baixa das costas, glúteos e pernas).

  • Colite ou inflamação do intestino grosso, causando gases abdominais, náuseas, prisão de ventre ou diarreia.

  • Hemiplegia, que é a paralisia de um hemisfério do corpo.

  • Paralisia facial ou perda total do movimento muscular voluntário de um lado do rosto.

  • Dor menstrual.

  • Perturbações musculares.

  • Estresse e ansiedade.

Também pode atuar a nível preventivo, já que estimula o sistema imunológico (que protege contra o ataque de microrganismos) e dá maior resistência às doenças.


Em termos gerais, o tratamento de uma doença através da acupuntura requer de terapias semanais, cujo número irá variar de acordo com o problema a tratar. Em contrapartida, quando é usada como medida preventiva, as sessões podem ser repetida mensalmente.


A pergunta expressa, o especialista indica que a acupuntura pode ser usada a par de outros tratamentos. “Não há problema quando se combina com drogas, mas cabe esclarecer que, em muitos casos, talvez na maioria, nós podemos agir com acupuntura somente. Geralmente, os pacientes que recorrem a esta terapia, porque já estão cansados de tomar tanto remédio.”


No entanto, esclarece o professor que esta disciplina pouco pode fazer em doenças crônicas (com as quais convive o paciente por toda a vida) quando estão muito avançadas ou em fase terminal”, por exemplo, na insuficiência renal (incapacidade do rim para filtrar o sangue adequadamente), câncer (formação de tumoraciones devido ao desenvolvimento de células anormais) ou sida (deterioração do sistema de defesas por causa de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana), a ação da acupuntura é muito limitada e só a utilizamos para aliviar a dor ou para melhorar a qualidade de vida do paciente”.


De acordo com o Dr. Ordóñez López, diferentes estudos realizados em todo o mundo, assim como monografias (trabalhos de investigação que realiza um profissional para receber o seu título dos graduados da ENMH, concordam que a acupuntura tem um índice de eficácia de 70% a 80%, muito semelhante ao que têm outras terapias. “Mas é muito bom percentual, cabe ressaltar que não somos ‘todólogos’ nem oferecemos uma panacéia, pois não somos capazes de curar todos os problemas”, escreve o especialista.


Quanto às inovações que teve esta antiga disciplina, explica que a tecnologia ajudou a criar algumas variantes no tratamento, como “a electroestimulação, desenvolvida a partir da década de 1950-60, em que a agulha é conectada a um aparelho com o qual se enviam impulsos elétricos para ter melhores resultados, ou outros métodos mais inovadores, como o uso de ímãs ou campos magnéticos (magnetopuntura) ou de feixe de laser (acupuntura a laser) para estimular os pontos de acupuntura“, de modo que, ao menos neste caso, modernidade e tradição convivem em paz.


Dúvidas frequentes


Um dos pontos negativos que esta disciplina tem sofrido nos últimos tempos, não tem que ver com a sua eficácia, mas com a possibilidade de transformar-se em via de contágio de algumas doenças. O Dr. Ordoñez é clara e afirma que estudos sérios e rigorosos demonstram que nem o vírus da imunodeficiência humana (HIV, cuja infecção causa a sida) ou o da hepatite (ataca o fígado, inflamándolo e deteriorando o seu funcionamento), entre outros microrganismos, são transmitidos através desta técnica.


Apesar disso, enfatiza que os especialistas neste ramo da Medicina lançam mão de procedimentos que ajudam a evitar qualquer risco: “Quem estamos bem formados como médicos acupunturistas trabalhamos com agulhas descartáveis, que são muito económicas e usamos apenas uma vez, e em caso de que cheguemos a empregar as que são reutilizáveis são as damos ao paciente em um recipiente, marcada com seu nome, para que ele leve a sua casa, e não as compartilhe com ninguém mais”. Além disso, esclarece que é muito raro que ao fazer as punções são sangramento, de modo que a probabilidade de se gerar problemas posteriores é muito baixa.


Por outro lado, ao perguntar-lhe como você pode saber um paciente que está nas mãos de um bom acupunturista, o Dr. Ordóñez López diz que quem quiser se submeter a este tipo de tratamento deve recorrer a um médico de carreira que se tenha especializado nesta disciplina oriental, e não com pessoas que não têm conhecimentos profundos sobre o funcionamento do corpo humano e suas doenças.


Infelizmente, expõe, “há muita gente que exerce a acupuntura sem ter de estudos universitários e que só tomou um curso com duração de alguns meses ou semanas. Além de que são desonestos correm o risco de que a pessoa a que oferecem os seus serviços tenha algum problema grave, por exemplo, de câncer, que só pode ser tratada com métodos específicos, tais como medicamentos ou radiação. O único que conseguem esses maus terapeutas, é que o paciente perca tempo valioso por um diagnóstico errado e quando o doente vai ao médico adequado, é muito difícil dar a atenção devida, uma vez que o risco de ter um desfecho fatal é muito grande”.


Por isso, sublinha que a gente deve buscar a atenção daqueles especialistas que, depois de estudar Medicina (a corrida dura 6 ou 7 anos) tenham tomado uma pós-graduação (dois anos de preparação) em alguma das duas escolas oficiais que contam com estudos de acupuntura no México: o Instituto Nacional Politécnico e a Universidade Autônoma Metropolitana. “Não há melhor garantia para que o paciente esteja nas mãos de um verdadeiro profissional”.


Para concluir, o Dr. Crisóforo Ordóñez assegura que, apesar de parte da população (inclusive muitos médicos) considera que a acupuntura é uma charlatanismo ou de uma prática mágica, há muitas instituições sérias que realizam estudos para demonstrar suas qualidades terapêuticas e que vão além de “dar um simples piquete com uma agulha”.


Finaliza o professor: “Seria importante que tanto os pacientes como as autoridades volteen mais para a acupuntura e a descobrirem que se trata de um método eficiente, econômico, beneficente, natural e livre de efeitos colaterais (sempre que seja aplicado por um verdadeiro especialista) que, precisamente por estas qualidades, poderia ser incorporados aos sistemas de saúde pública”.


Se você quiser mais informações sobre o assunto ou receber terapia com um especialista, pode se comunicar com a Clínica de Acupuntura da ENMH ao telefone 5729-6000, extensão 555 15, na Cidade do México.

Acupuntura, o que é?
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